PEDIDO DE SOCORRO

24/08/2010

Aos médicos, psicólogos, vizinhos, leitores, amores, amigos e conhecidos de plantão! Esse pedido é para vocês!

Quatro meses depois descobri uma verdade. Uma verdade trágica, temida ou  apenas esperada. Mas a verdade é uma só: eu me rendo!

Eu me rendo ao sofrimento. Eu me rendo à saudade. Eu me rendo à dor no peito.

É, meu povo, eu me rendo. E me rendo com um pouco de vergonha por não dar conta de erguer a cabeça, me rendo com medo de não conseguir seguir, me rendo com calma por reconhecer não ser forte o suficiente para aguentar a pancada e me rendo, finalmente, por me permitir.

Descobri também que antes me permitia com certas condições. As lágrimas somente nas vistas dos travesseiros, jamais dos amigos. A cara triste só solitária dentro de quatro paredes, não na presença de outrem. As permissões para manifestos de saudade, aquela ruim, sempre para mim mesmo. E sabe, isso sufoca. Preciso de colo, carinho, afago, cuidado. E dessa vez não tenho medo que passem a mão na minha cabeça, porque de verdade… eu preciso mesmo, e daí?

E aí muitos me dizem: Nossa, ela quer que tenham pena dela.

Pois eu digo, meus caros, que eu no lugar dos outros teria mesmo pena de mim. E não me importa se é pena, dó, cuidado ou preocupação. Um pedido de socorro não liga – mesmo – para isso.

Eu, desajeitada que sou, não me vejo pedindo essas coisas. Mas meu lado ser humano – sim, muitos não enxergam, mas eu sou humana – , com todas as suas perfeitas falhas, uma hora necessita de uma pausa. Longa ou curta, uma pausa. E fico pensando se eu realmente tive essa pausa. A pausa curta, penso que tenho todo dia antes de dormir. Que é a hora em que o meu travesseiro entende todo o meu drama, enxuga minhas lágrimas e escuta minhas lamúrias. Ele é um ótimo ouvinte. Escuta cada palavrinha sem retrucar, sem criticar meus exageros, sem podar meu sofrimento. Mas para ele faltam braços para o cafuné, falta boca para o sorriso confortante, falta pernas e corpo para o colo. E sabe, descobri que quase sempre eu preciso, e muito, disso tudo.

E aí peço socorro. Pelo meu des-jeito de não saber pedir. Pela falta de coragem e também pelo medo. Medo da negação, medo da rejeição e o pior, medo de não adiantar nada. Afinal de contas, quem sabe do futuro, não é mesmo? Eu não sabia que ele ia agora para o “Mistério”, como bem disse em um dos seus belíssimos textos, escrito em junho de 2000. Acho que nem ele sabia.

Aliás, pouco era o que ele não sabia. Para ele podia ser muito, mas para mim, era quase nada. Por todas as vezes, não houve nenhuma vez em que eu questionasse e não fosse prontamente respondida. Sempre! Sempre tinha uma explicação, um texto, uma história ou simplesmente um sorriso, aliás, seu passatempo favorito: sorrir para a vida.

A minha certeza é que agora ele também está sorrindo no “mistério”.  E eu..
Bom, eu peço socorro para (voltar a) sorrir nesse plano em que vivemos!

“You still live in me
I feel you in the wind
You guide me constantly (…)

You were as kind as you could be
And even though you’re gone
You still mean the world to me”

(Alter Bridge – In Loving Memory)
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