Meu aniversário está chegando. Completarei 25 anos de existência nesse mundão velho sem fronteiras. Entrar na casa dos vinte significa entrar na vida adulta, mas ainda com muito ar de jovialidade. Até os 24 anos você está mais perto dos vinte que dos trinta. Dos 25 em diante você já está mais perto dos trinta, e isso assusta muita gente. Eu nunca tive neuras com essa coisa de idade. Sempre aceitei muito bem os meus dez, quinze, dezoito, vinte um e agora, os meus 25 anos. Nunca encarei aniversário como “estou ficando velha” e nunca escondi minha idade pra ninguém. Na verdade, eu não pareço muito que tenho a idade que tenho, sempre me dão menos idade (é o que falam por aí), vai ver por isso eu não me importo tanto com isso (se me dessem mais pode ser que eu me importasse). Enfim, agora chegando mais perto dos trinta que dos vinte, tracei algumas metas que quero atingir ANTES de chegar aos trinta anos.

Será que em cinco anos eu vou conseguir?
Espero que sim!

METAS PARA SEREM ALCANÇADAS ATÉ 29/11/2014:

  1. Ser mais feliz e sorrir mais. No geral, ser mais todas as coisas boas.
  2. Cultivar as velhas e fazer novas amizades.
  3. Trocar de carro.
  4. Ter meu apartamento (alugado).
  5. Ter outro filho (na verdade isso é meta de vida, não precisa ser ANTES dos 30. Pode ser durante ou depois também).
  6. Ter uma vida estável financeiramente falando.
  7. Viajar para fora do Brasil.
  8. Viajar para outros lugares do Brasil que não Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza.
  9. Viajar mais para o Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza.
  10. Conseguir reunir mais vezes os indianos, sendo que todos participem.
  11. Fazer uma pós, mestrado, doutorado ou o que for.
  12. Decidir se eu quero mesmo ser jornalista.
  13. Entrar (novamente) no inglês.
  14. Aprender direito o espanhol e começar a aprender o francês.
  15. Comprar meu notebook.
  16. Comprar minha máquina fotográfica.
  17. Voltar para a natação, academia e dança (mas não com a Deda).
  18. Não deixar o meu filho me odiar.
  19. Me preparar para ser odiada pelo meu filho (isso acontece em algum momento na vida de toda mãe).
  20. Retomar em mim o lado político, cidadã e lutadora.
  21. Não ser “velha” ranzinza e nem achar eu ainda tenho quinze anos.
  22. Não me preocupar com a idade.
  23. Calafiar, sambar, Beirutiar e continuar fazendo tudo aquilo que me diverte.
  24. Me impor mais.
  25. Não ser tão dramática em certas ocasiões.
  26. Ser mais clara e objetiva.
  27. Me permitir a comprar mais roupas e sapatos novos (eu mereço).
  28. Fazer minhas novas tatuagens.
  29. Dar mais presentes.
  30. Estar mais presente.
  31. Conhecer Cartaxo, em Portugal.
  32. Não me preocupar em estar namorando ou não.
  33. Assistir um jogo do Corinthians no Pacaembu.
  34. Assistir a outro show da Marisa Monte.
  35. Visitar amigos distantes.
  36. Ler mais livros e ouvir mais músicas.

E POR FIM:

37. Celebrar MUITO os meus 30 anos!

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Ando viciada em poesia. Esses dias li muita coisa da Clarice Lispector. As poesias eu guardei pra mim, mas indico a leitura para quem quiser quietar e renovar a alma. Separei algumas frases dela que me chamaram atenção, e essas divido com vocês:

——-

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”

“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.”

“O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?”

“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.”

“Sou um coração batendo no mundo.”

“… faz de conta que ela não estava chorando por dentro – pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver.”

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas… continuarei a escrever.”

“… uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”

“Fique de vez em quando só, senão será submergido. Até o amor excessivo pode submergir uma pessoa.”

“É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.”

“Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.”

“Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.”

“Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato, a questão é… Ou toca, ou não toca.”

Pertencer
“Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.”

“Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só… Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo.”

“Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.”

“Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É exatamente o inesperado”

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.”

Há aquelas pessoas que não fazem nada na vida sem antes planejar. E também aquelas que detestam planos e gostam da vida com as surpresas que ela proporciona, sem saber o que fazer daqui um ano, muito menos daqui um dia.

Eu confesso já ter feito muitos planos na minha vida. Uns tive sucesso, outros um total fracasso. Mas o que eu gosto mesmo é de viver a vida na surpresa. Deixar que a vida me mostre os caminhos a seguir ali na hora, sem pensar muito e nem ficar calculando os riscos. É a delícia do desconhecido, que causa ora medo, ora curiosidade e várias vezes nos trás uma oportunidade.

Eu não acredito que alguém consegue viver com tudo planejado. A vida é imprevisível, assim como o ser humano (mais ainda, aliás). Não tem como ter controle de tudo o tempo todo. Viver a vida 100% planejada não é viver, é atuar. Parece que você está numa novela, recebe um roteiro e tem que seguir aquilo até o fim. Mas uma hora você tem que se desligar. O corpo não aguenta, muito menos a mente.

Os riscos de se viver na surpresa são muitos, mas são necessários. Sem contar que os riscos também são aprendizados, assim como as escolhas que eles nos obrigam a fazer. Não temos garantias que essas escolhas serão as mais corretas, mas também não temos garantias de que os nossos planos darão certo e nem que eles são a melhor opção que temos.

E pensar nessas garantias, faço uma retrospectiva da minha vida. Tanta coisa que eu tinha certeza que iria fazer e não fiz. Queimei a minha língua várias vezes, usando o terrível “para sempre” ou o “nunca”. Hoje eu só tenho uma certeza. A de viver um dia de cada vez, um após o outro. Viver como se fosse o último dia da minha vida e não deixar nada pra depois.

E mais do que nunca, defendo a tese do: Quer falar, fale. Quer ligar, ligue. Que viajar, viaje. Quer chorar, chore. Quer perguntar, pergunte. Quer fazer, FAÇA.